O bairro Carijós, em Indaial, foi tomado por cores, cheiros e sons de ancestralidade no último 18 de outubro, quando o Centro Cultural, Educacional e Assistencial Reino de Oxóssi realizou o evento de encerramento do projeto “Da Boca aos Ouvidos: Sabores e Sonoridades Afro-brasileiras e Indígenas no Vale Europeu”. O projeto recebeu incentivo da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) com apoio da Fundação de Cultura Indaialense, do Município de Indaial e do Ministério da Cultura.
O projeto foi desenvolvido ao longo de 2025 com o objetivo de dar visibilidade às manifestações culturais afro-brasileiras e indígenas do Médio Vale do Itajaí, promovendo formações, vivências e momentos de partilha com a comunidade. As ações uniram música, gastronomia, espiritualidade e economia criativa, fortalecendo a identidade cultural e o pertencimento das populações tradicionais da região.
Tambores Sagrados: um ciclo de aprendizado e celebração
Entre as ações do projeto, destacou-se o curso Tambores Sagrados, que reuniu uma turma inicial de 20 participantes interessados em aprender sobre percussão com instrumentos sagrados como o atabaque, o agogô, o abê, o ilú e o maracá. As aulas também abordaram os significados simbólicos e espirituais desses instrumentos, valorizando a oralidade e os ensinamentos transmitidos pelas tradições afro-brasileiras e indígenas.

Durante o evento de encerramento, os participantes do curso se apresentaram ao público, em uma formatura simbólica que celebrou a força da ancestralidade e da coletividade. “Foram meses de troca e aprendizado. Cada toque de tambor é um elo com quem veio antes, uma forma de manter viva a memória dos nossos povos”, contou José Marcelino Vicente Ferreira, instrutor das atividades formativas.
Sabores e saberes à mesa
Outro ponto marcante da programação foi a mostra gastronômica “Tradições à Mesa”, que apresentou pratos inspirados nas culturas afro-brasileira e indígena. Preparadas por participantes do projeto, as receitas trouxeram cheiros e sabores que contaram histórias sobre resistência, fé e identidade.

“A culinária é uma forma de preservar memórias. Cada alimento carrega o saber de quem o preparou e o legado dos povos que construíram esta região”, explicou Almir de Osòóssi, coordenador do projeto, no Centro Cultural, Educacional e Assistencial Reino de Oxóssi.
Feira de artesãos e roda de samba encerram o dia
O público também prestigiou a feira de artesãos locais, que expôs produtos feitos à mão e valorizou o trabalho de artistas da região. O encerramento foi marcado pela Roda de Samba da Vida, que reuniu pessoas de todas as idades em um grande círculo de alegria e celebração.

Um legado de pertencimento
O projeto impactou diretamente cerca de 300 pessoas e indiretamente mais de 900, entre alunos, voluntários, famílias e público visitante. Para o Centro Cultural Reino de Oxóssi, o resultado mais importante foi o fortalecimento das conexões entre comunidade, ancestralidade e cultura viva.
“Esse projeto mostrou que o Vale Europeu é diverso e cheio de vozes. Quando o tambor toca, ele não ecoa só no som, ele desperta pertencimento”, afirmou Hito Favacho Modesto, presidente do Centro.
O Centro Cultural, Educacional e Assistencial segue comprometido em promover ações que preservam e difundem os saberes dos povos afro-brasileiros e indígenas, garantindo que a história e a cultura desses povos sigam pulsando em Indaial e em toda a região.
