Dando continuidade às conversas iniciadas durante o mês da consciência negra em 2025, o Centro Cultural, Educacional e Assistencial realiza mais um encontro voltado à saúde mental, ampliando o debate para um tema urgente: os impactos do racismo religioso na vida de pessoas que vivem sua fé nas religiões de matriz africana.
Com o tema “Cuidado Ancestral: fé, racismo religioso e saúde mental”, o encontro acontece às 15h, com duração de duas horas, e será mediado pelas psicólogas Josi Lahorgue e Camilla Pereira.
A proposta é aprofundar uma reflexão já iniciada nos encontros anteriores sobre saúde mental, agora a partir da experiência concreta de quem enfrenta preconceito, discriminação e a necessidade constante de estar em posição de defesa por manifestar sua fé.
Para a psicóloga Josi Lahorgue, é fundamental reconhecer que o racismo religioso tem efeitos diretos sobre o equilíbrio emocional:
“Quando uma pessoa precisa calcular cada gesto, cada palavra e até a forma como se veste para evitar agressões ou julgamentos, isso produz impacto psicológico. O racismo religioso gera estresse contínuo, sensação de insegurança e desgaste emocional. Falar sobre isso é também falar sobre saúde mental.”
Já Camilla Pereira destaca que o tema precisa ser analisado de forma coletiva, e não apenas individual:
“Não estamos falando apenas de episódios isolados. Estamos falando de um contexto social que coloca determinados grupos em estado permanente de alerta. A saúde mental é atravessada por fatores sociais, históricos e raciais. Reconhecer esse atravessamento é um passo importante para romper com o silenciamento.”
O presidente de honra da casa, Almir, reforça que o debate é também uma afirmação de dignidade e direito à fé:
“Viver a própria fé não pode ser um exercício constante de defesa. Quando o racismo religioso atinge nossas comunidades, ele não fere apenas a religião, ele atinge a autoestima, a identidade e o bem-estar das pessoas. Falar sobre saúde mental nesse contexto é um ato de responsabilidade e resistência.”
A iniciativa busca criar um espaço seguro de diálogo, reconhecimento e fortalecimento coletivo, reafirmando que discutir saúde mental também é discutir direitos humanos e liberdade religiosa.
A atividade é aberta à comunidade, no endereço: Rua 24 de abril, 99 Carijós – Indaial
